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Uma corda esticada entre o Lobo e o Filósofo, uma corda por cima do abismo.

Monday, 16 January 2012

If gotta run, run for hope.


Correr não é uma batalha entre mente e corpo.

Eu achava que de um lado estava a mente, te empurrando, puxando com a vontade, e do outro o corpo, que sentia todo o cansaço.

Na verdade, não é assim que as coisas funcionam, ao que me parece. Não vivemos uma disputa de corpo e mente, somos um corpo e uma mente. Os dois funcionam juntos. Os dois são um só.

Os músculos parecem queimar a cada contração. A respiração fica falha e o oxigênio parece rasgar os pulmões tentando entrar. Nós aguentamos. O corpo sabe que vai aguentar. O coração bate mais e mais rápido. E isso é bom. Mas tudo isso é movido pela vontade. A energia começa a falhar e sentimos dores, dá vontade de chorar. Nessa hora é que entra nossa cabeça, pra dizer "mais um passo". Aí só nos concentramos nisso. "Mais um passo", "mais um passo". Sempre temos energia pra mais um passo. E é isso. O corpo sabe que vai aguentar, mas precisa que alguém diga pra continuar. Corpo e mente vão gritar, querer desistir, mas são os dois juntos que conseguem correr.

Então você olha para a ponta dos pés, sente a dor nos quadris, o suor, o fogo queimando nas pernas. Quer desistir, mas entre dois fôlegos ritmados e sofridos, se força a pensar - "mais um passo."

Saturday, 30 April 2011

"Ela te deixou por uma razão, Scott, e, enquanto você não descobrir qual foi, nunca vai ser um homem."

Monday, 28 February 2011

Concretude so o céu


Faz muito bem dar uma volta lá fora de vez em quando. As paredes brancas do escritório podem ser bem sufocantes às vezes, e só dá pra agradecer quando surge alguma oportunidade de sair e caminhar um pouco pela grama e pelo concreto. A vida precisa de mais aventura, não vale ficar sentado na frente do computador apodrecendo, esperando a vida passar. Lembrei agora mesmo de uma tirinha que li a um tempo. "O tempo passa e sua vida também passa, é uma história que vai andando. A pergunta é, você é o protagonista?".
Caminhar me ajuda a pensar. Penso em como dá pra gostar de qualquer música, basta estar no clima certo; fico divagando também sobre liberdade, vida, sociedade, essas coisas que eu entendo pouco. Enquanto isso, meus fones despejam os acordes de um violão bem tocado, e eu atravesso a pedra sob o sol quente das duas horas.

Thursday, 17 February 2011

The wall


O que me assustava mesmo era o medo de não estar lá quando precisassem de mim. Eu me acreditava uma pessoa consciente e com força de vontade. Com toda a certeza do mundo, eu lutaria até o fim por alguém que eu amasse.

Hoje, minha ausência parece muito palpável. Acho que não sei tanto de mim mesmo quanto imaginava e ainda duvido seriamente dessa "força de vontade".

E tem sido assim a um tempo. Minha última desilusão foi com o retrato que eu pintava de mim mesmo como um cavaleiro de armadura, lutando por alguém amado. A tempo, sinto um calafrio de pieguice quando digo "amor".

Realmente não sei mais se eu insistiria em alguém. Eu gostaria de dizer que se eu quisesse, faria isso. Talvez haja pessoas que levantam muros não pra manter os outros fora, mas pra ver quem se importa o suficiente pra tentar derrubá-los. Mas eu paro em frente a esses muros e penso se vale a pena investir contra eles. Seria fácil decidir, a resposta já vem pronta na minha filosofia: o certo a fazer é o que eu quiser fazer. Seria mais fácil se eu soubesse o que quero. E é essa dúvida que dá espaço pra uma outra pergunta. Se eu disser que não, e abandonar a luta, é mesmo minha escolha? Será que eu não estou sendo covarde? Talvez o que me falta não seja vontade e sim coragem.

Saturday, 29 January 2011

[coisa de um ano atrás]

A melhor medida do quanto se gosta de alguém é o tamanho da saudade que se sente quando ela não está perto. A lembrança do outro é tão frequente quanto é grande o carinho.

Hoje ela é feliz. Tudo é como deve ser, mas será que, mesmo assim, ela em algum momento lembra que já foi a garota mais importante do mundo pra mim? Será que alguma delas lembra disso? Elas, todas a garota mais importante do mundo.

O mais belo desses amores perdidos são as mãos e lábios que já não desejo. A graça deles é justamente a história secreta que guardam. E você, dos olhos que agora amo, sente saudades de mim?

Monday, 17 January 2011

10 pessoas

1.
Ela só queria um pouco de felicidade, uma parcela de paz, assim, sem grandes pretensões, sem grandes dificuldades, ela queria uma vida de sorrisos sinceros e modestas realizações.

2.
Porque a vida era assim cruel com qualquer um que fosse minimamente sensível. Não havia redenção pra uma garota tão frágil, tão facilmente ferida pelas arestas da realidade aguda. Só lhe restava então responder à altura e morder de volta esse mundo-cão.

3.
Tanta coisa pra aprender, tanto ainda por sentir. A pele branca macia, os lábios rosados, a voz aguda e clara, tudo testemunhava contra a mau afirmada maturidade. Não, a seriedade, o desapego, a desenvoltura, essas ilusões desvaneciam no desespero rubro e choroso da partida. Era só uma menina, afinal.

4.
Ela não ia dar o braço a torcer. No fundo, sabia o que queria, e faria quase tudo pra ter. Menos deixá-lo saber o quão insegura e frágil ela é. Não, preferia deixá-lo ir. Não era algo bem consciente, mas as três palavras ficavam lá bloqueadas em sua garganta, esperando alguma coisa. Enquanto isso ela diria qualquer coisa que a fizesse parecer forte. Porque o importante é ser forte.

5.
Em algum lugar da alma libertina que eu adoro, embaixo de toda essa sagacidade e despojamento, tem algo de ridiculamente inocente. Ridículo porque risível. Mas bonito. E céus, como ela beija bem.

6.
O cara simplesmente vivia. Acho que não conheço ninguém, além dele, que pudesse realmente dizer que aproveitava a vida. Ele tinha um jeito que eu não entendia, uma coisa assim de encantar as pessoas que era um absurdo. devia ser aquela contradição aparente entre parecer um moleque e ser o cara mais confiável que eu já vi.

7.
Palavras soltas e frases cortadas em uma mente cheia de reticências. Talvez. Respiração leve. Dança. Dúvida. Uma corrida sem linha de chegada, procurando uma pista da natureza humana. Algo do tipo.

8.
A vida é um teatro. Os risos, o choro, as grosseirias, mesmo a indiferença, tudo encobre a verdade, se é que ela existe. Vontade pura, inconsequência, quase fácil ver o rosto por trás da máscara. Quase porque isso é o que me irrita nos atores. Não dá pra saber se tem algum rosto atrás da máscara.

9.
_ Ok, me dá logo esse cigarro. Assim, você me faz parecer neurótico. Eu não sou neurótico. Não é bem uma compulsão, eu só gosto das coisas certinhas. Um organograma, um cronograma, deadlines, essas coisas. E café. Beleza, talvez café seja uma compulsão. Mas quem não tem seus vícios hoje em dia afinal. A realidade é dura e feia, dolorosa até, mas oferece todo tipo de anestésico pra quem puder pagar. Vem cá, vc tem outro cigarro aí?

10.
Ela entrou no banheiro, me contou. E chupou. Só por diversão, eu sei. Um dia gostou de alguém mas não foi aquele daquela vez. Lembro que na escola ninguém nunca havia dito isso pra ela. Nem os garotos que a tocaram e que hoje mal se recordam do rosto dela. Ninguém disse porque a vida é assim mesmo. Se agrada em torturam essas pessoas incríveis. É por isso que eu não desisto de sussurrar vez ou outra, mesmo que ela não escute: Você é linda.

Tuesday, 11 January 2011

Razões


"A derrota me satisfaz porque secretamente sei que sou culpado e só o castigo pode redimir-me."

"A derrota me satisfaz porque ocorreu, porque está inumeravelmente unida a todos os fato que são, que foram, que serão, porque censurar ou deplorar um único fato real é blasfemar contra o universo."

Borges