Ela só queria um pouco de felicidade, uma parcela de paz, assim, sem grandes pretensões, sem grandes dificuldades, ela queria uma vida de sorrisos sinceros e modestas realizações.
2.
Porque a vida era assim cruel com qualquer um que fosse minimamente sensível. Não havia redenção pra uma garota tão frágil, tão facilmente ferida pelas arestas da realidade aguda. Só lhe restava então responder à altura e morder de volta esse mundo-cão.
3.
Tanta coisa pra aprender, tanto ainda por sentir. A pele branca macia, os lábios rosados, a voz aguda e clara, tudo testemunhava contra a mau afirmada maturidade. Não, a seriedade, o desapego, a desenvoltura, essas ilusões desvaneciam no desespero rubro e choroso da partida. Era só uma menina, afinal.
4.
Ela não ia dar o braço a torcer. No fundo, sabia o que queria, e faria quase tudo pra ter. Menos deixá-lo saber o quão insegura e frágil ela é. Não, preferia deixá-lo ir. Não era algo bem consciente, mas as três palavras ficavam lá bloqueadas em sua garganta, esperando alguma coisa. Enquanto isso ela diria qualquer coisa que a fizesse parecer forte. Porque o importante é ser forte.
5.
Em algum lugar da alma libertina que eu adoro, embaixo de toda essa sagacidade e despojamento, tem algo de ridiculamente inocente. Ridículo porque risível. Mas bonito. E céus, como ela beija bem.
6.
O cara simplesmente vivia. Acho que não conheço ninguém, além dele, que pudesse realmente dizer que aproveitava a vida. Ele tinha um jeito que eu não entendia, uma coisa assim de encantar as pessoas que era um absurdo. devia ser aquela contradição aparente entre parecer um moleque e ser o cara mais confiável que eu já vi.
7.
Palavras soltas e frases cortadas em uma mente cheia de reticências. Talvez. Respiração leve. Dança. Dúvida. Uma corrida sem linha de chegada, procurando uma pista da natureza humana. Algo do tipo.
8.
A vida é um teatro. Os risos, o choro, as grosseirias, mesmo a indiferença, tudo encobre a verdade, se é que ela existe. Vontade pura, inconsequência, quase fácil ver o rosto por trás da máscara. Quase porque isso é o que me irrita nos atores. Não dá pra saber se tem algum rosto atrás da máscara.
9.
_ Ok, me dá logo esse cigarro. Assim, você me faz parecer neurótico. Eu não sou neurótico. Não é bem uma compulsão, eu só gosto das coisas certinhas. Um organograma, um cronograma, deadlines, essas coisas. E café. Beleza, talvez café seja uma compulsão. Mas quem não tem seus vícios hoje em dia afinal. A realidade é dura e feia, dolorosa até, mas oferece todo tipo de anestésico pra quem puder pagar. Vem cá, vc tem outro cigarro aí?
10.
Ela entrou no banheiro, me contou. E chupou. Só por diversão, eu sei. Um dia gostou de alguém mas não foi aquele daquela vez. Lembro que na escola ninguém nunca havia dito isso pra ela. Nem os garotos que a tocaram e que hoje mal se recordam do rosto dela. Ninguém disse porque a vida é assim mesmo. Se agrada em torturam essas pessoas incríveis. É por isso que eu não desisto de sussurrar vez ou outra, mesmo que ela não escute: Você é linda.
About Me
- John, O Lobo
- Uma corda esticada entre o Lobo e o Filósofo, uma corda por cima do abismo.
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