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Uma corda esticada entre o Lobo e o Filósofo, uma corda por cima do abismo.

Monday, 28 February 2011

Concretude so o céu


Faz muito bem dar uma volta lá fora de vez em quando. As paredes brancas do escritório podem ser bem sufocantes às vezes, e só dá pra agradecer quando surge alguma oportunidade de sair e caminhar um pouco pela grama e pelo concreto. A vida precisa de mais aventura, não vale ficar sentado na frente do computador apodrecendo, esperando a vida passar. Lembrei agora mesmo de uma tirinha que li a um tempo. "O tempo passa e sua vida também passa, é uma história que vai andando. A pergunta é, você é o protagonista?".
Caminhar me ajuda a pensar. Penso em como dá pra gostar de qualquer música, basta estar no clima certo; fico divagando também sobre liberdade, vida, sociedade, essas coisas que eu entendo pouco. Enquanto isso, meus fones despejam os acordes de um violão bem tocado, e eu atravesso a pedra sob o sol quente das duas horas.

Thursday, 17 February 2011

The wall


O que me assustava mesmo era o medo de não estar lá quando precisassem de mim. Eu me acreditava uma pessoa consciente e com força de vontade. Com toda a certeza do mundo, eu lutaria até o fim por alguém que eu amasse.

Hoje, minha ausência parece muito palpável. Acho que não sei tanto de mim mesmo quanto imaginava e ainda duvido seriamente dessa "força de vontade".

E tem sido assim a um tempo. Minha última desilusão foi com o retrato que eu pintava de mim mesmo como um cavaleiro de armadura, lutando por alguém amado. A tempo, sinto um calafrio de pieguice quando digo "amor".

Realmente não sei mais se eu insistiria em alguém. Eu gostaria de dizer que se eu quisesse, faria isso. Talvez haja pessoas que levantam muros não pra manter os outros fora, mas pra ver quem se importa o suficiente pra tentar derrubá-los. Mas eu paro em frente a esses muros e penso se vale a pena investir contra eles. Seria fácil decidir, a resposta já vem pronta na minha filosofia: o certo a fazer é o que eu quiser fazer. Seria mais fácil se eu soubesse o que quero. E é essa dúvida que dá espaço pra uma outra pergunta. Se eu disser que não, e abandonar a luta, é mesmo minha escolha? Será que eu não estou sendo covarde? Talvez o que me falta não seja vontade e sim coragem.