
Dá uma sensação boa gostar de alguém. Pelo menos o gostar desse jeito, sem esperar nada, sem promessas, sem futuro pra assombrar. Sem medo, enfim. É um calor morno de sol se pondo, uma preguiça confortável de cinco da tarde.
Sem nada à vista, sem conselho além da minha indecisão, devo gostar de ser assim perdido. Talvez seja mais fácil lidar com a vida quando você já parte do princípio de que não entende nem vai entender nada.
E de qualquer jeito ela tá lá, e eu não entendo. Mas o coração dela não mente, nunca vai mentir. Ninguém sabe o que ela quer, nem ela. Por isso ninguém vai segurá-la. E o mundo vai fazê-la chorar e depois ela vai rir e vai gostar de alguém e vai se cansar de alguém. Mas quem poderia dar um nome pra ela, ela que é arisca? Ela vai passar por você, a menos que você seja esse sem-nome por quem as meninas se apaixonam. O coração dela não mente. E é assim, conhecendo só os pedacinhos que ela mostra que alguém gosta dela.
É mais simples ainda quando não tem nada pra entender. O que me diz? Talvez seja uma paixãozinha, feito gripe leve que passa, essa vontade de te ver. Mas acho que só te quero bem. E assim tá bom.