Não conta pra ninguém, mas eu nem bebo, ok? De qualquer forma, essa lua me deixa com o coração na mão. Tipo uma melancolia que aperta o peito e que eu achei que ia passar quando eu tivesse tudo que minha vontade pedia. Só que a tristeza não passa, essa é a condição humana. Sofremos por desejo ou tédio, não dá pra escapar. E o meu desejo agora é derrubar as certezas, a rotina, o arroz-com-feijão, e ser alguém pra se lembrar.
Deve fazer uns dois meses desde que criei este blog e se posso arranjar uma desculpa pra nunca ter escrito nada, é que eu queria escrever algo que valesse a pena. Não que valesse a pena ler, e sim algo que fosse digno de guardar. A primeira vez e o primeiro post: Têm que ser algo que possa ficar na memória pra sempre.
Talvez um dia eu mude de ideia e apague tudo. Só gostaria que o primeiro post fosse bom o suficiente pra sobreviver a esse abandono. Penso nisso porque sei que é algo que eu faço, eu apago. Pode me chamar de covarde, mas não gosto mesmo de lidar com conflitos. Se eu mudo e o meu mundo entra em choque o meu jeito é queimar todas as fotos e desaparecer. Não me importo muito com isso, só quero mesmo que alguns momentos fiquem e o primeiro é um deles.
Mas até isso pode mudar, seria bom ser mais combativo, né? Considerei isso bem ontem. Afinal, essa época é pra crescer, é pra me inquietar e fugir desse confortável torpor. I've become comfortably numb. E isso porque nesse verão que não acaba eu consegui tudo. Se antes me tragava a angústia, agora me bate à porta o tédio, ceifeiro da juventude. Meu remédio há de ser a inquietação.
Antes de homem, serei dinamite. Aqui explodo o que era sólido, pra construir o novo. E do topo do mundo, lanço meu grito primordial.